Há algum tempo atrás num dos meus passeios encontrei um ninho de coruja-das-torres (Tyto alba) num monte que pertence à minha família. As corujas apoderaram-se de um caixote de fruta que eu tinha colocado junto ao telhado do palheiro para os pombos pudessem construir o seu ninho, foi o que aconteceu durante algum tempo, mas agora já lhe perderam o direito!
Quis logo fotografa-las, pois são das minha aves favoritas, informei-me se existiria algum problema resultante da minha intenção, aconselharam-me a não as perturbar durante muito tempo, escondido e bem camuflado num canto não as iria afectar, disseram-me também que dado o avançado estado de crescimento das crias já não há grandes hipóteses de abandono por parte dos progenitores, se estivessem no inicio da postura, aí sim era perigoso!
Hoje, lá fui eu, com a maquina o tripé e o camuflado. Ao escurecer instalei-me num canto e pronto lá fiquei à espera. O palheiro rapidamente mergulhou numa penumbra assim para o fantasmagórico e as crias começaram a emitir as suas vocalizações (uns sopros assobiados), e nada dos adultos. Ao fim de 30 minutos já estava farto de esperar, eis que do nada pousa uma delas no buraco do portão por onde entram, deixei de respirar para não a assustar, disse para comigo, "vá pousa na viga ou no caixote, que eu tiro-te uma foto e vou me embora", não fez nada disso teve a feliz ideia de pousar numa manjedoura ficando a um curtíssimo metro de mim, congelei literalmente, se me mexo para lhe apontar a câmara, ela vai-se, optei apenas por ficar a olha-la desejando que não partisse , ao mesmo tempo chega o que eu penso que fosse o macho, o atrevido peneirou sobre mim a inspeccionar a coisa, senti na cabeça o vento do bater das suas asas, juntou-se à companheira que me enfrentava numa retórica de gritos, estalidos, sopros e assobios, estiveram nisto uns bons 2 minutos até que se foram deixando bem claro que eu estava ali a mais. Arrumei a "tralha" e deixei-as em paz.
No regresso a casa, em jeito de brinde estava este grandioso Bufo-real (Bubo bubo) no meio da estrada.
De olhar assustado, mas sem perder a pose de super predador enfrentou os faróis do carro durante algum tempo, apenas o suficiente para tirar três fotografias que valem apenas pelo modelo e pelo momento.
Num vou silencioso desapareceu na escuridão, deixando para trás a sua presa, um coelho- bravo.
Interrompi-lhe o jantar mas não era a minha intenção =(



















